Eu vivo o que aprendo ou aprendo o que vivo?

(Por Chris Alves da Silva)

 

Que tal relembrar sua infância? Lembra-se do tempo que você inventava seus próprios brinquedos ou buscava junto com seus colegas, alternativas para que a invenção de vocês desse certo? E os conhecimentos que você usava para desenvolver tais proezas, de onde os tirava? Afinal, vivemos o que aprendemos ou aprendemos o que vivemos? Eis o desafio. As aprendizagens que vivenciamos no espaço da escola, estão de certa forma ligados aos conhecimentos prévios que cada ser, criança ou adulto possuem. Percebendo a necessidade de novos avanços educacionais e nova postura do educador no e do espaço escolar é que pensamos na aprendizagem significativa e o que ela implica no contexto educacional. Surgiram então estudos que trazem reflexões sobre como o professor pode intervir para que a aprendizagem seja significativa e de como as crianças ou adultos podem formar conexões partindo de sua vivência e realidade. Partindo dessa problemática, vamos conhecer, através deste artigo, o conceito de aprendizagem significativa segundo David Ausubel, os desafios que a envolvem, sua importância no contexto escolar, a ação do professor, a reflexão de sua prática educativa e sua conexão com os educadores, educandos, comunidade, família e escola.

O conceito de aprendizagem significativa segundo David Ausubel

Segundo Ausubel, quando a estrutura cognitiva (que é a “integração do conteúdo apreendido numa edificação mental ordenada.”) armazena os dados e os assimila, neste instante, formou-se o “ponto de ancoragem”. É nesse “ponto” que as novas informações irão “ancorar”, ou seja, formar conexões. O resultado é uma interação entre os dados “antigos” e os mais “recentes”. Na verdade, é um continuar aprendendo. A nova informação resultante desse “encontro” é denominada de aprendizagem significativa. Ausubel também alerta para a aprendizagem mecânica. Ela acontece quando a informação prévia não interage com as novas informações, levando a pessoa a decorar conteúdos, fórmulas e até mesmo a agir com indisciplina. Esquecendo-se das informações logo após o exame.

Os desafios que a envolvem

Desde o nascimento, aprendemos a conviver em ambientes sociais. A família é o primeiro ambiente socializador onde as aprendizagens iniciais são desenvolvidas, tais como as regras de socialização, conceitos de moral e até os conteúdos trabalhados nas escolas. A aprendizagem significativa parte do princípio da vivência. Segundo Guiomar Mello, “Viver é compartilhar significados, é expressar os sentidos das coisas de tal forma que eles sejam compreendidos pelos outros.” E a escola não pode ficar de fora. Pois o que se aprende na escola tem que ter significado na vida, do contrário não será considerado essencial. Daí a importância da contextualização do que se aprende na escola, da experiência das crianças.
Quando a criança passa a freqüentar a escola, seus conhecimentos se modificam de acordo com o meio. Novos conhecimentos serão agregados aos seus, contribuindo para uma reformulação de sua aprendizagem. A criança então constrói o conhecimento ao longo de todo o processo educacional. Se nesse processo de construção, a criança não encontra significados, o conteúdo torna-se sem sentido.

Sua importância no contexto escolar

Diante dos novos desafios que são apresentados às crianças na escola, quando aprendizagem é mecânica, sua inteligência não se liga à sua vontade. O que pode resultar em indisciplina ou dispersão. Daí a importância de um projeto político-pedagógico participativo e democrático. Os saberes locais serão respeitados e valorizados. Com isso, a escola alcançará um nível de cumplicidade com seus principais agentes modificadores.

A ação do professor e a reflexão de sua prática educativa

A realidade do professor começa a viver profundas mudanças. Como educador deixa de ser o “centro” do saber, ou seja, o mestre explicador. Essas mudanças, na verdade, provocam uma inquietação. O educando precisa ser orientado e não mais guiado. Sua atuação, como mediador das aprendizagens, refletirá em sua prática educativa. As aulas serão mais dinâmicas e revolucionárias. As perguntas serão “ruminadas”, os alunos serão incentivados a constantes pesquisas em busca de possíveis respostas. Tanto educando como educador serão levados a aprender a aprender. Sua conexão com os educadores, educandos, comunidade, família e escola. A aprendizagem significativa quando envolve educadores, educandos, comunidade, família e escola promove uma intensa interação, diálogo e autonomia. Ao falar em diálogo, não podemos esquecer de Paulo Freire e sua pedagogia libertadora. Quando todos os atores estão envolvidos e empenhados na ação educativa, os sujeitos buscam reconhecer-se. Dentro da escola, significa respeitar os saberes já vividos/experiência e sua construção de mundo. Diálogo para Freire é algo profundo, pois permeia a “ação mesma do próprio ato de conhecer”. Ou seja, os conteúdos não são separados da vida das pessoas, elas “trocam” experiências. Paulo Freire propõe uma educação esperançosa na Pedagogia da Esperança. E quando temos esperança, vencemos as barreiras da falha de conexão. Afinal, Eu vivo o que aprendo ou aprendo o que vivo? Diante de todas as informações, podemos perceber que as duas perguntas se completam. As experiências de mundo que cada um traz são importantes na construção de experiências novas e desafiadoras. Cabe portanto, aos educandos, educadores, escola, família e comunidade ter disposição e compreensão para aprender: a aprender, a conviver, a ser, a fazer, a conhecer. Para então construir-se sujeito do mundo, interagindo com ele e transformando-o. E para transformar o mundo promovendo um diálogo com as experiências apreendidas se faz necessário vive-las. O aprendizado, segundo Dewey, se dá quando compartilhamos experiências. Essas trocas de saber entre os educadores é importante pois contribui no crescimento profissional. O professor quando repensa sua prática transgride sua realidade. As aulas ganham vida e significado, sua participação na escola torna-se atuante e eficaz. A prática significativa e compartilhada traz à pedagogia um olhar de esperança, de resignificação. Além desses aspectos, também não podemos deixar de lado o ritmo de cada sujeito. Em um mundo de incertezas e constantes mudanças, o desenvolvimento de cada ser é importante. As estratégias de aprendizagem quando são facilitadoras no desenvolvimento das competências e habilidades potencializam a capacidade do ser criativo e autônomo, mesmo em um mundo cercado de incertezas e mudanças. As crianças que estão inseridas dentro desse mundo incerto mas vasto de conhecimento, tem a possibilidade de desenvolverem suas habilidades e competências com estratégias criativas resultantes da reflexão do educador. As aulas com significado tem vida. É estudar um b fazendo e comendo biscoitos. É pesquisar sobre peixes e descobrir muito mais do que se espera ou imagina. É estar na universidade e descobrir ser capaz de contribuir com seu próprio aprendizado e dos colegas. E finalmente, não podemos esquecer da mudança que a escola viverá. Enquanto instituição, será socialmente política e coerente com o contexto na qual está inserida. E como agente de transformação, poderá promover a atuação e desenvolvimento de todos os que participam dela.

BIBLIOGRAFIA

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• BRASIL,Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais/ Secretaria de Educação Fundamental.- Brasília: MEC/SEF, 1997. p 52-55.
• VIEIRA, Adriano. Paulo Freire e o Diálogo como relação construtora do Sujeito, da Consciência e do Mundo. Oficina: Paulo Freire: o educador esperança. Salão de alfabetização 21 e 22 de Setembro de 2004, Semana Universitária da Universidade Católica de Brasília. p 16-21.

 

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