A Educação e o MST...

Mariza Soares Silva Pereira

INTRODUÇÃO

Procuramos através desta pesquisa conhecer mais profundamente a história do MST. Desde sua fundação, como surgiu e porque, até seus objetivos. Porque sua luta, que propósitos eles visam. Descobrindo assim que é um movimento que tem ganhado proporções nacionais e cada vez mais arrebanhado integrantes e simpatizantes. Percebemos que sua luta é organizada e que visa forçar o governo a agir diante de tanta terra improdutiva e estar assentando famílias que não possuem sua terra, mas que muitas vezes, nesta luta pela terra os enfrentamentos com os donos das terras e com a própria polícia são inevitáveis, resultando em muitos mortos.


SURGIMENTO


O MST não é algo novo na história do Brasil. É a continuidade das lutas camponesas, e m uma nova fase. Durante a colônia( até o final de 1800), os índios e negros protagonizava, essa luta, defendendo territórios invadidos pelos bandeirantes e colonizadores, ou unindo a luta pela liberdade com a da terra própria e construindo quilombos. No final do século 19 e início do nosso século, surgiram movimentos camponeses messiânicos, que seguiam um líder carismárico. São exemplares os movimentos dos Canudos, com Antônio conselheiro; do Contestado, com o Monge José Maria; o Cangaço, com Lampião, e diversas lutas regionalizadas. Nas décadas de 30 e 40 ocorreram conflitos violentos, em diversas regiões, com posseiros defendendo suas áreas, individualmente, com armas nas mãos. O primeiro sindicato rural surgiu em 1930. Com o Estado Novo (1937-1945), os sindicatos rurais pouco se desenvolveram. Foi nas décadas de 1950 e 1960 que eles tomaram grande impulso. O movimento camponês organizou-se enquanto classe, surgindo as Ligas Camponesas, a União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTABs) e o Movimento dos Agricultores Sem Terra (Máster). Esses movimentos foram esmagados pela ditadura militar, após 1964, e seus líderes foram assassinados, presos ou exilados. O latifúndio derrotou a reforma agrária. Mas entre 1979 e 1980, no auge da luta pela redemocratização, surge uma nova forma de pressão dos camponeses: as ocupações organizadas por dezenas de famílias. No início de 1984, os participantes dessas ocupações realizaram o primeiro encontro, dando nome a articulação própria ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nessa época já reunia 22 federações e 2600 sindicatos.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nasceu das lutas concretas que os trabalhadores rurais foram desenvolvendo de forma isolada, na região Sul, pela conquista da terra, no final da década de 70. O Brasil vivia a abertura política, pós-regime militar. O capitalismo nacional não conseguia mais aliviar as contradições existentes no avanço em direção ao campo. A concentração da terra, a expulsão dos pobres da área rural e a modernização da agricultura persistiam, enquanto o êxodo para a cidade e a política de colonização entravam em aguda crise. Nesse contexto surgem várias lutas concretas que, aos poucos, se articulam. Dessa articulação se delineia e se estrutura o Movimento Sem Terra, tendo como matriz o acampamento da Encruzilhada Natalino, em Ronda Alta – RS, e o Movimento dos Agricultores Sem Terra do Oeste do Paraná ( Mastro). Com ocupações de fazendas improdutivas e de terras públicas, acampamentos à beira de estradas, caminhadas de centenas de quilômetros. Manifestações nas cidades por onde passavam, pressão junto às autoridades, o movimento dos sem-terra ganhou grande expressão política no país. Nos últimos anos, foram numerosos os enfrentamentos entre manifestantes e forças policiais.OBJETIVOSO MST visa três grandes objetivos: a terra, a reforma agrária e uma sociedade mais justa. Quer a apropriação das grandes áreas nas mãos de multinacionais, o fim dos latifúndios improdutivos, com a definição de uma área máxima de hectares para a propriedade rural. É contra os projetos de colonização, que resultaram em fracasso nos últimos trinta anos e quer uma política agrícola, voltada para o pequeno produtor. O MST defende autonomia para as áreas indígenas e é contra a revisão da terra desses povos, ameaçados pelos latifundiários. Visa a democratização da água nas áreas de irrigação no Nordeste, assegurando a manutenção dos agricultores na própria região. Entre outras propostas, o MST luta pela punição de assassinos de trabalhadores rurais e defende a cobrança do pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR), com a destinação dos tributos à reforma agrária.ESTRUTURAO MST está organizado em 22 estados da Federação. Em 12 anos de existência, quase 140 mil famílias já conquistaram terra. Grande parte dos assentamentos se organiza em torno de cooperativas de produção, que já somam 55 associadas às centrais ligadas à Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab). A elevação da renda das famílias assentadas é realidade em muitos assentamentos, principalmente onde as agroindústrias são desenvolvidas. Pesquisa da FAO comprova que a média da renda nos assentamentos é de 3,7 salários mínimos mensais por família. Onde as agroindústrias estão implantadas essa média sobe pra 5,6 salários mensais para famílias. Alem da preocupação com o aumento do poder aquisitivo, o MST investe na formação técnica e política dos assentamentos.
Torna-se importante citar aqui dois assentamentos O Paraíso gaúcho e o Inferno amazônico. O Paraíso gaúcho trata-se da Fazenda Anoni, no Rio Grande do Sul, no município de Sarandi, ela é um dos primeiros assentamentos conseguidos pelo MST. Bem organizada e próspera, a Anoni serve de cartão postal para o movimento. Até 1987, a fazenda era um mato de 8652 hectares de terras improdutivas. Hoje abriga 600 famílias, que a transformaram num cinturão verde com onze linhas de produção.Ali se plantam soja, milho, trigo, feijão, frutas, criam-se porcos, aves, gado. Há laticínio e agroindústria. As escola são bem equipadas, as casas têm telefone, os quintais, antenas parabólicas. E carros nas garagens. O MST atribui o sucesso da Anini ao trabalho comunitário, em equipe. Pois logo que deixaram os barracos de lona dos acanpamentos, eles se organizaram em mutirões e reformaram o galpãp da fazenda. Usaram o crédito inicial garantido pelo Incra, para cuidar da terra e, com os primeiros lucros, construíram casas e fundaram a Cooperativa Agrícola Novo Sarandi, a Coanol. Fica também, num dos mais ricos centros de produção agrícola do país e ao lado da BR-386, que liga o noroeste do Ri Grande do Sul a Porto Alegre, facilitando assim o escoamento do que se produz. Já o assentamento Perseverança Pacutinga é o retrato da reforma agrária que não deu certo. Foram assentadas 87 famílias do MST que estavam acampadas em Bagé, no Rio Grande do Sul, ocuparam 17700 hectares de terra, perdidos na selva amzônica. Horrorizada com o calor e os mosquitos, a maioria dos gaúchos fugiu. Só sobraram 7 famílias, mas muitas outras, de diversos lugares foram para lá. Hoje vivem 350 famílias no assentamento. Têm o seu pedaço de terra, mas é só. O assentamento fica a 1400 quilômetros de Cuiabá. Não tem luz elétrica, água encanada, esgoto ou estradas capazes de escoar a produção. Os moradores do vilarejo vivem isolados. Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso constataram que 86% da população já teve malária ou hepatite A e B. O serviço médico mais próximo fica num bairro a 10 quilômetros, onde só trabalham dois enfermeiros. As famílias só plantam para sobreviver. E vivem de um sistema de trocas. Trocam grãos por material de limpeza, olé de cozinha ou querosene.


CONCLUSÃO


Diante do que a história do Brasil nos mostra nestes 500 anos, podemos perceber que a luta por uma sociedade mais justa sempre existiu e existirá. Mas as soluções para o problema do campo ainda estão longe de acontecer. Para muitos especialistas só os assentamentos não resolvem o problema, pois o que deveria mudar é a estrutura da propriedade da terra no nosso país. Podemos então nos perguntar: “o que fazer com os sem-terra?” Responder a essa pergunta já é um grande passo para se construir um país mais justo. Uma reforma agrária séria é necessária. Mas os entraves para que tal ocorra são enorme. A própria Constituição dificulta tal processo. Muito mais do que uma luta por um pedaço de terra, sua luta torna-se política. E muita água ainda precisa rolar para que uma vontade política se sobreponha. A rebeldia é a marca do MST. Eles tomam as terras primeiro, para depois dialogar. Seus métodos muitas vezes são antidemocráticos, pois muitas vezes invadem propriedades que não são alvos de reforma, depredam, saqueiam, enfrentam a polícia.

Lembre-se: ao usar um artigo cite a fonte. "...No Senhor o vosso trabalho não é vão".

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