A Teoria humanista aplicada a Educação...
(ANA CLÁUDIA, DIONE TOLEDO MENDES, GENÍCIA
DE SOUZA PEREIRA, GENIVAL MARTINS, KÁCIA JOANAÍNA C. SILVA,
MARIZA SOARES S. PEREIRA, MILENA SILVA KARDEC, PAULO CÉSAR C. SANTOS,
VANICE CHARLES LIMA)
INTRODUÇÃO
Neste trabalho buscamos enfatizar os princípios de
aprendizagem dentro de um contexto humanista, e nesta linha de pensamento
o seu maior ícone no século XX foi o doutor Carl Rogers, psicólogo
norte americano que criou uma psicanálise diferente do ponto de vista
da psicanálise Freudiana. Carl Rogers tinha como fundamento que o
paciente (a quem ele preferia tratar como cliente) dessa direção
ao tratamento, fato este caracterizado em seu método da psicanálise
não-diretiva, em que o psicólogo deixa o paciente mais livre
para argumentar por si mesmo. No campo da educação, a contribuição
de Rogers foi abrangente e renovadora. Ele acreditava que o conhecimento
realmente importante para o desenvolvimento de um indivíduo, poderia
ser facilmente comunicado, isto se deve também ao fato de que para
Rogers as pessoas só aprendem o que realmente necessitam ou querem
aprender. A relação aluno-professor deve ser embasada em confiança
e estímulos, destituída de qualquer hierarquia, mais centrada
no auto-desenvolvimento do aluno. Muito embora pareça anticonvencional,
a pedagogia rogeriana não presume o abandono alunos a si mesmos,
antes busca evidenciar que o professor assume mais o caráter de auxiliador,
e dê total apoio para que caminhem sozinhos. Rogers foi o primeiro
terapeuta a gravar sessões de aconselhamento, para depois estudar
o processo de interação entre terapeuta e cliente. A partir
desses estudos, chegou a conclusão de que a eficácia do processo
de aconselhamento depende da qualidade da interação entre
terapeuta e cliente, da existência de um clima afetuoso no relacionamento
de ambos. Mais tarde, Rogers concluiu: o que é válido em psicoterapia
aplica-se à educação. Portanto, a eficácia do
processo da aprendizagem depende da qualidade da interação
entre professor e aluno, da existência de um clima afetuoso entre
ambos. A abordagem Rogeriana da educação consiste no ensino
centrado no estudante ou na educação centrada na pessoa.
A IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICANTE NO HOMEM
Rogers refere-se a dois tipos fundamentais de aprendizagem nos seres humanos, retomando, até certo ponto, a distinção mais ampla entre aprendizagem associativa por condicionamento e aprendizagem cognitiva. O 1º tipo é caracterizado por Rogers como aprendizagem de material que não possui significado pessoal para o aprendiz, não envolve seus sentimentos, não repercute nele, nem tem referência para a totalidade do indivíduo. A esta aprendizagem Rogers opõe e valoriza mais um segundo tipo: a aprendizagem cheia de sentido, que “tem uma qualidade de envolvimento pessoal – com toda a pessoa, em seus aspectos sensoriais e cognitivos, achando-se “dentro” do ato da aprendizagem. A aprendizagem é “auto- iniciada”. Mesmo quando o ímpeto ou o estímulo provém do exterior, o senso de descoberta, de alcance, de apreensão e compreensão vem de dentro. A aprendizagem é difusa. Faz diferença no comportamento, nas atitudes, talvez mesmo na personalidade do que aprende. A aprendizagem é “avaliada por ele”. Ele sabe se ela está atendendo às suas necessidades, quer conduza para o que ele “quer” saber, quer ilumine a área sombria de ignorância que está experimentando. O “lócus” da avaliação reside definitivamente no que aprende. A “essência da aprendizagem é o significativo”. Quando uma aprendizagem assim se realiza. O elemento do significado para o que aprende faz parte integrante da experiência como um todo.
EDUCAÇÃO CENTRADA NO ESTUDANTE
A Famosa Tríade Rogeriana
Rogers afirma que o educador deve concentrar a atenção
não em ensinar, mas em criar condições que promovam
a aprendizagem. Isso significa que o melhor ambiente para a aprendizagem
resulta da qualidade da interação humana, especialmente do
grau de cordialidade entre o professor e os alunos.
Para ele três são as condições indispensáveis
para a aprendizagem:
• ter empatia;
• aceitar incondicionalmente o aluno;
• ser autêntico.
A empatia permite que o educador compreenda os sentimentos do aluno e lhe
comunique que ele está sendo compreendido.é uma atitude de
colocar-se no lugar do estudante, de considerar o mundo através de
seus olhos. Não significa “entender” o aluno no sentido
usual de “entendo o que está errado com você”.
Quando há uma empatia sensível de parte do professor, a reação
do aluno será, sentir que alguém compreende seu ser, sem julgamentos
ou avaliações.
A aceitação positiva e incondicional consiste em aceitar os
alunos como eles são, sem julgá-los, sem as barganhas usuais
do tipo “Se você fizer isto, então eu gosto de você”.
Rogers repete, com insistência, que a afeição do professor
por seus alunos deve ser incondicional; o professor deve aceitar os alunos
sem reservas.Ter uma estima pelos alunos, mas uma estima não possessiva.
É uma aceitação deste outro indivíduo como uma
pessoa separada, tendo o seu próprio valor. O facilitador que apresenta
esta qualidade aceita os sentimentos pessoais do estudante, que tanto perturbam
como promovem a aprendizagem, e o valoriza como ser humano imperfeito dotado
de muitos sentimentos e potencialidades.
Ser autêntico, honesto ou congruente significa “ser-o-que-se-é”.
A pessoa congruente se aceita e se compreende. Quando o professor (facilitador)
é uma pessoa verdadeira, autêntica, genuína, despojando-se,
na relação com o aluno (aprendiz), da “máscara”
ou “fachada” de ser o professor, é muito mais provável
que seja eficaz. Isso significa que os sentimentos que está tendo,
sejam quais forem, precisam ser aceitos por ele mesmo e que ele é
capaz, tanto de viver esses sentimentos, como de comunicá-los na
sua relação com o aluno. O professor é uma pessoa real
com seus alunos, podendo mostrar-se entusiasmado, entediado, zangado, simpático,
com os estudantes. Se o professor oferecer estas três condições,
então, de acordo com Rogers, as crianças serão livres
para aprender. O “clima” emocional da sala de aula, resultado
do relacionamento professor-aluno, favorecerá ou não a aprendizagem.
Esse “clima” pode ser positivo, de apoio ao aluno, quando o
relacionamento professor-aluno é afetuoso, cordial. Nele, o aluno
sente segurança, não teme a crítica e a censura do
professor. A atmosfera efetiva – o clima emocional da sala de aula
– acarreta conseqüências na mente e no organismo do aluno.
Diante de um professor severo, crítico, repressivo, cresce o nível
de ansiedade do aluno: aumentam os batimentos cardíacos, as mãos
transpiram, há perturbações digestivas, diminui a capacidade
de percepção. Quando o nível de ansiedade se eleva,
o aluno fica emocionalmente transtornado, perde a autoconfiança,
descrê se seu próprio valor. Ele, então, não
tem condições de produzir intelectualmente, sua criatividade
diminui e a realização acadêmica é muito prejudicada.além
disso, aumentam as atitudes negativas contra o professor. Para que o aluno
crie, produza, aprenda, ele precisa sentir-se seguro, ou seja, seu nível
de ansiedade precisa estar baixo. Quando há “clima” permissivo,
os alunos se sentem apoiados, livres de críticas ou censura, trabalham
descontraídos e, portanto, rendem intelectualmente, o que não
ocorre em “climas” severos, de censura, onde os alunos trabalham
com alto nível de ansiedade e não produzem o esperado. Assim,
a qualidade da relação interpessoal entre o professor e o
aluno influi em muitos aspectos da interação em sala de aula
e na aprendizagem. A atmosfera criada pelo professor em sala de aula é
o resultado da personalidade, do humor, das palavras e atitudes do professor.
Talvez a tríade rogerianas não seja suficiente para explicar
todo o ensino e a aprendizagem, mas não há como negar sua
importância como facilitadora da aprendizagem.Idéias rogerianas
sobre educação. Para Rogers há dois tipos de educação:
um revela-se autoritário, diretivo, centrado no mestre; o outro democrático,
não diretivo, centrado no estudante. Na educação autoritária
supõe-se que o aprendiz é incapaz de controlar-se e que, por
conseguinte, deve ser guiado por alguns que sabem melhor que ele o que mais
lhe convém. Este tipo de educação centrado no mestre,
tem como objetivo produzir técnicos bem equipados de conhecimentos
e transformar os estudantes em reprodutores passivos da cultura que lhes
é transmitida. A filosofia democrática, ao contrário,
reconhece a educação como responsabilidade do próprio
estudante. Por isso, centraliza-se no estudante, procura liberar sua capacidade
de auto-aprendizagem, criar condições que facilitem a aprendizagem,
visando ao desenvolvimento intelectual e emocional do aluno. O objetivo
da educação democrática é, portanto, dar assistência
aos alunos para que se tornem pessoas independentes, responsáveis,
autodeterminadas, capazes de discernir, aptas a aprender a solucionar seus
problemas. Capacitar a pessoa para a solidariedade, preservando a individualidade
de cada uma.
Nestes dois tipos de educação, há sistemas ambivalentes,
baseados somente em parte, nos princípios democráticos.Confiança
básica na pessoa. Para Rogers, uma das características humanas
é “a tendência para desenvolver-se, autodirigir-se, reajustar-se;
essa tendência deve ser liberada não diretivamente”.
Basicamente a teoria rogeriana é a crença de que a pessoa
é capaz de promover seu próprio crescimento. Na educação
não diretiva, o professor limita-se a facilitar o auto-conhecimento
do aluno, para que ele opte por seu caminho. O professor, ou “facilitador”,
adota uma atitude centrada na pessoa, pela qual ele deverá satisfazer,
em cada aluno, as necessidades de consideração, apreço
e compreensão.Pesquisas sobre aprendizagem.
Há dois grupos de pesquisas sobre as condições que facilitam a aprendizagem:
1. Realizaram-se estudos comparativos entre os resultados
do ensino centrado no estudante e outros tipos de ensino. Concluiu-se que
há maior rendimento intelectual no clima de ensino centrado no estudante.
2. Há pesquisas que focalizam o relacionamento professor-aluno, o
clima emocional da sala de aula.
Ned A. Flanders realizou uma dessas pesquisas, para observar a influência
direta e a influência indireta do professor. Ele distingue influência
direta do professor (dissertar sobre assuntos, dar ordens, criticar os alunos,
justificar sua própria autoridade, etc) e influência indireta
(fazer perguntas, aceitar e usar as sugestões dos alunos, elogiar
e encorajar, aceitar os sentimentos dos alunos,etc). Esse pesquisador encontrou
nos alunos ensinados de modo indireto não só maior realização
acadêmica, mas também atitudes mais positivas para com o professor
e com as atividades escolares. Rogers não elabora métodos
pedagógicos próprios, nem pretende oferecer um alista completa
das técnicas que se adaptem melhor a sua orientação.
Ele sugere alguns métodos: a instrução programada de
Skinner, todas as técnicas de dinâmica de grupo, o contrato
de trabalho (pelo qual professor e aluno estabelecem a quantidade da matéria,
o método de trabalho, etc.) e outros métodos.
TEORIA FENOMENOLÓGICA
Os teóricos da fenomenologia dão grande importância
à maneira como o aluno percebe a situação em que se
encontra. Além disso, entendem que a criança aprende naturalmente,
que ela cresce por sua própria natureza. O mais importante é
que o material sem sentido exige dez vezes mais esforço para ser
aprendido do que o material com sentido e é esquecido muito mais
depressa. O que pode fazer a escola para facilitar a aprendizagem, a partir
da própria experiência da criança? Snygg e Combs, representantes
da teoria fenomenológica, apresentam algumas sugestões:
• Proporcionar aos alunos oportunidades de pensar por si próprios,
por meio de criação de um clima democrático na sala
de aula, de maneira que os alunos sejam encorajados a expressar suas opiniões
e a participar das atividades do grupo.
• Dar a cada estudante a oportunidade de desenvolver os estudos de
acordo com o seu ritmo pessoal. O êxito e a aprovação
devem ser baseados nas realizações de cada um.
• A escola deve considerar o impulso universal de todos os seres humanos
no sentido de concretizar suas próprias potencialidades, e não
reprimir tal impulso, prendendo-o à competição artificial
e ao sistema rígido de notas.
As teorias psicológicas fenomenológicas e humanistas representam,
uma alternativa ao reducionismo behaviorista – que tenta explicar
todo comportamento humano por meio de estímulos e respostas –
e, ao mesmo tempo, uma reação à irracionalidade psicanalítica,
que postula o inconsciente como mola mestra das atividades humanas. As teorias
fenomenológicas e humanistas não compreendem o homem em termos
mecanicistas ou em termos irracionalistas e enfatizam a pessoa como um ser
que se direciona e evolui por suas experiências e valores, visando,
antes de tudo, ao seu próprio bem-estar neste mundo e à sua
realização pessoal.
TEORIA SIGNIFICATIVA
Uma aprendizagem é significativa quando tem sentido
para o aluno. Ele aprende o que quer saber, envolve-se como um todo –
tanto seu pensamento como o seu sentir. Mesmo quando o primeiro estímulo
vem de fora, o senso de descoberta e a compreensão vêm de dentro.
A aprendizagem significativa provoca modificações, que seja
no comportamento do indivíduo, na orientação da ação
futura que escolhe ou nas suas atitudes e na sua personalidade. É
uma aprendizagem penetrante, que não se limita a um aumento de conhecimentos,
mas que penetra profundamente todas as parcelas da sua existência.
Uma aprendizagem significativa é plena de sentido para o aluno. Envolve
sentidos e significados. Para que a aprendizagem ocorra eficazmente é
necessário o querer aprender e empenhar-se em aprender. Razão
e sentimento devem entrar nesse processo. Mesmo com o estímulo do
professor, o aluno só aprenderá de fato, quando sente necessidade
de aprender. A aprendizagem significativa envolve necessariamente o significado,
pois o conteúdo precisa fazer sentido para o aluno, levando-o a se
sentir comprometido assumir a sua parcela de responsabilidade pela própria
aprendizagem.Condições da aprendizagem significativa. A crença
no potencial do ser humano para aprender é essencial na condução
do processo de ensino-aprendizagem. Os seres humanos têm natural potencialidade
para aprender. Se observarmos uma criança envolvida com a construção
de uma geringonça, montando e desmontando um equipamento, veremos
que ela examina, manuseia, faz tentativas, vibra com os acertos e custa
a desanimar diante das dificuldades.
A criança chega a escola com ânsia de descobrir, de aprender.
Se os métodos de ensino forem adequados à sua idade, desenvolvimento
e interesse ela se manterá motivada. Caso contrário, perderá
o interesse pela própria escola. Alunos que no dia-a-dia utilizam
operações fundamentais comprando, vendendo, fazendo e conferindo
trocos e que, na escola, não conseguem resolver problemas simples,
são um exemplo da dissociação entre os “temas
da escola” e os “temas da vida”. O estudante realiza uma
aprendizagem significativa quando percebe que a matéria a estudar
relaciona-se com seus próprios objetivos. A aprendizagem mecânica
se dá quando o aluno adquire novos conhecimentos, mas estes não
têm relação com aquilo que ele já conhece, não
favorecendo a interação da nova informação com
os conhecimentos que já domina. É preciso que o professor
oriente o aluno a relacionar os “temas da escola” com os “temas
da vida” pois, sozinho, dificilmente o aluno fará esta relação.
É precisa trazer a vida do aluno para a escola, extraindo dela os
temas a serem trabalhados. Cada nova aquisição amplia o conhecimento
anterior ou provoca um desequilíbrio que leva o aluno a reformular
idéias anteriores, substituindo-as por uma visão nova e diferente.
As ameaças externas sofridas pelos alunos devem ser eliminadas ou
reduzidas para que a aprendizagem seja significativa. O aluno que se sente
ameaçado, seja pela família, pelo professor, pelos colegas
ou por ter consciência de suas próprias deficiências,
dificilmente consegue apresentar progresso nas áreas do conhecimento
em que estas ameaças ocorrem. As dificuldades que os alunos encontram
são muitas e de natureza muito diversa, o que exige atenção
e sensibilidade do professor para identificá-las e abordá-las
adequadamente. Destacando-se entre essas ameaças à aprendizagem,
os bloqueios, as atitudes de descrédito e zombaria, a complexidade
do assunto, os conceitos envolvidos no conteúdo e que não
são dominados pelo aluno. Quando ele encontra um ambiente de apoio
e compreensão, onde é estimulado a auto-avaliar-se e estabelecer
metas progressivas a serem alcançadas, as ameaças externas
são removidas e ele progride com facilidade no processo de ensino-aprendizagem.
A aplicação prática dos conteúdos possibilita
a efetivação da aprendizagem significativa. Um dos modos mais
eficazes de promover a aprendizagem consiste em colocar o aluno em contato
direto com situações, para aplicar na prática, o aprendido.
O que possibilita também aprendizagens mais duradouras. A aprendizagem
é mais significativa quando o aluno escolhe suas direções,
participa do planejamento das atividades, ajuda a descobrir ou descobre
recursos próprios, formula problemas que lhe dizem respeito, faz
opções entre vários caminhos a seguir e vive as conseqüências
de cada uma das suas escolhas. É importante envolver os alunos no
planejamento, na preparação de recursos, no próprio
desenvolvimento das atividades, estimulando a autonomia de ação
e de pensamento. Pesquisas diversas, desenvolvidas tanto na área
educacional quanto na industrial, mostram que as pessoas são mais
criativas e independentes em um clima de liberdade. A aprendizagem significativa
é um processo contínuo de descobertas pessoais em que cada
aluno pode explicitar suas dúvidas, identificar as possíveis
implicações de suas opiniões, comportamentos e atitudes
para si e discuti-las com o grupo e identificar alternativas de solução.
Devendo ser estimulado a auto-avaliar-se constantemente, desenvolvendo o
seu trabalho em função da própria apreciação,
não ficando à espera da aprovação alheia. Aprender
a aprender, instrumentaliza o aluno para a realização de novas
aprendizagens significativas. A aprendizagem mais socialmente útil
no mundo moderno é a do próprio processo de aprendizagem.
Pois o mundo passa por transformações amplas e rápidas
que alteram profundamente a visão dos fatos, os conceitos, os hábitos,
etc. educar para essas mudanças implica em desenvolver no aluno uma
atitude de abertura a experiência e à incorporação
do processo de mudança, dentro de si mesmo.Refletindo sobre a aprendizagem
significativa na prática. Atitudes e comportamentos do professor
em seu relacionamento com os alunos influenciam na facilitação
da aprendizagem significativa. Para se tornar um facilitador da aprendizagem
significativa, o professor deve:
• promover um clima de confiança entre os elementos do grupo,
cultivando o respeito, a liberdade, flexibilidade, criando um ambiente tranqüilo
onde o aluno possa sentir segurança para solicitar ajuda quando necessitar;
• solucionar, juntamente com o grupo, os problemas individuais e grupais
que possam estar interferindo no processo de ensino-aprendizagem;
• organizar e colocar à disposição dos alunos
todos os recursos didáticos necessários à aprendizagem,
tais como jogos, textos complementares, etc;
• colocar-se, também, como um recurso flexível de aprendizagem
a ser utilizado pelos alunos, ao seja, para que eles o consultem, sempre
que necessário;
• reconhecer e aceitar suas limitações, avaliando, freqüentemente,
se suas atitudes e condutas estão facilitando a aprendizagem dos
alunos;
• permanecer atento às expressões de sentimento dos
alunos, a fim de compreendê-los;
• estimular o interesse dos alunos para aprofundarem seus conhecimentos
nos conteúdos que de início não lhe despertem interesse;
• estar atento aos temas de interesse dos alunos e explorá-los,
sempre que possível, para desenvolver as matérias curriculares;
• organizar atividades que obriguem o aluno a pensar, através
de problematizações e questionamentos;
• criar situações em que o aluno experimente sensações
de êxito, descobrindo o prazer de guiar-se pela curiosidade e aprender
pela descoberta;
• conhecer o ambiente social ao qual o aluno pertence, para trabalhar
com conceitos e exemplos ligados a ele;
• usar palavras e expressões familiares ao aluno;
• enfocar o mesmo conteúdo por diversos ângulos e de
diversas formas, pois cada criança difere na maneira de entender;
• conhecer bem a matéria que vai ensinar para explicar com
clareza;
• conhecer a capacidade dos alunos para subdividir a matéria
de forma que eles entendam;
• criar situações para que o aluno descubra o resultado
pelo processo indutivo.
Para avaliar se ocorreu uma aprendizagem significativa o professor deve
propor tarefas que possibilitem ao aluno transferir o que aprendeu para
a compreensão de algum conteúdo relacionado ou a solução
de um novo problema.
Ao avaliar a aprendizagem de seus alunos o professor precisa estar atento
se suas respostas não foram memorizadas mecanicamente.Para isso deve
propor questões e problemas novos.
APLICAÇÃO DAS IDÉIAS ROGERIANAS AO TRABALHO DIÁRIO DO PROFESSOR
Os educadores reconhecem o grande valor e a praticidade indiscutível
da teoria de Rogers.
Os que a adotaram sentiram que precisavam melhorar seu relacionamento com
os alunos, assumindo, em sala de aula., outras atitudes e nova linguagem.
Os professores organizaram algumas regras que buscam comunicar ao aluno
compreensão e aceitação, que se seguem:
1. acabar com o julgamento. Cortar avaliações tanto negativas
como positivas. Evitar adjetivos como: certo, errado, bonito, feio, estúpido,
etc.
2. evitar rótulos, diagnósticos e prognósticos. Muitas
afirmações usadas pelo professor prejudicam seu relacionamento
com os alunos.
3. reconhecer, sempre que possível, a queixa de uma criança
que se sente prejudicada e atender a seu desejo.
4. receber com cuidado os comentários e as perguntas que parecem
não ter relação com o tópico que está
sendo tratado.
5. evitar “perguntas” que contenham mensagens de desaprovação,
desapontamento ou desprazer. Há perguntas que fazem a criança
sentir-se tola, culpada ou enraivecida e vingativa.
6. usar frases não-críticas para obter cooperação.
As frases críticas geram resistência. Emitir, de preferência,
“mensagens-eu”.
7. evitar considerar como um desafio proposital uma pequena infração
do aluno. Deixar sempre aberta, ao aluno, uma porta para uma saída
honrosa. Esta máxima evita muitos problemas disciplinares.
8. Usar polidez e cortesia com as crianças como se faz com visitas
em nossa casa.
9. respeitar a autonomia da criança. Omitir frases pressionantes
(“Você deve...”, “É melhor você fazer...”)
10. expressar irritação sem ofender a criança.
11. reconhecer e aceitar os sentimentos da criança.
12. ser bondoso, oferecendo ajuda nas horas difíceis para a criança.
CONCLUSÃO
Na teoria humanista, Rogers sugere que se centralize no aluno, que o considere como pessoa o valorizando para que ele possa ter a auto-realização, busca facilitar o processo de aprendizagem. Para Rogers, o homem tem uma tendência natural para aprender, descobrir e de aumentar seu conhecimento e a experiência, ele define também que o homem é dotado de grande desejo de aprender. Essa teoria é válida quando defende que a escola deve ser um ambiente de apoio e compreensão, favorecendo a aprendizagem do aluno, fazendo com que ele aprenda mais rápido. Mas seu aspecto negativo é que, na prática, essa teoria não tem condições de ser aplicável, pois deixa o aluno livre para aprender, escolher suas direções, formular seus próprios problemas, então o aluno passa a ser o agente de seu conhecimento, uma liberdade muito ameaçadora porque nem todos os alunos estão preparados para isso.
BIBLIOGRAFIA
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COUTINHO, Maria Tereza da Cunha & MOREIRA, Mércia. Psicologia
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PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. 17. ed. São Paulo: Ática,
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ROGERS. Karl R. Tornar-se Pessoa. 5. ed., São Paulo: Martins Fontes,
1997.
Lembre-se: ao usar um artigo cite a fonte. "...No Senhor o vosso trabalho não é vão".