Propostas
para Melhorar a Situação da Igreja
Philipp Jakob Spencer, Th.D.
Uso mais extensivo das Escrituras
É necessário pensar como a Palavra de Deus
deve ser usada mais extensivamente em nosso meio. Sabemos que, por natureza,
não somos bons. Se algum bem existe em nós, vem de Deus.
E o meio poderoso para isso acontecer é a Palavra de Deus, uma
vez que a fé se desperta pelos Evangelhos, a lei regulamenta as
boas obras e freia os nossos impulsos mundanos. Quanto mais perto estamos
da Palavra de Deus, mais fé e mais frutos teremos. Pode parecer
que estamos familiarizados com a Palavra de Deus, pois em muitos lugares
existem pregações diárias ou muito freqüentes.
Não desaprovo a pregação na qual é lido e
explicado um texto bíblico, pois eu mesmo faço isso. Mas
não é o suficiente. Em primeiro lugar, sabemos que "toda
a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para
a repreensão, para a correção, para a educação
na justiça" (II Tm 3.16). Toda a Escritura, sem exceção,
deve ser conhecida pela comunidade, se quisermos ter todos os benefícios
necessários. Se colocarmos juntos todos os textos bíblicos
lidos e explicados a uma comunidade, ao longo de muitos anos, apenas uma
pequena parte da Escritura será compreendida. O restante não
é ouvido pela comunidade, ou é ouvido apenas um ou outro
verso citado isoladamente, no decorrer de uma prédica, sem a indispensável
explicação do contexto. Em segundo lugar, o povo tem pouca
aptidão para compreender o significado das Escrituras, exceto naqueles
textos a ele expostos. Menos capacidade ainda tem para praticá-las,
como a edificação espiritual de cada um requer. Apesar de
a leitura bíblica, a sós, em casa, ser uma prática
altamente recomendável, não é praticada pelo povo.
Deve-se pensar que se não é chegada a hora de a Igreja ser
alertada a apresentar ao povo novas maneiras de ler as Escrituras, que
não seja os costumeiros sermões baseados em textos do calendário
litúrgico anual.
Isso deve ser feito, em primeiro lugar, pela leitura sistemática
das Sagradas Escrituras, especialmente o Novo Testamento. Não será
difícil para um chefe de família Ter uma Bíblia,
ou pelo menos um Novo Testamento, e lê-lo diariamente para sua família.
Se não puder ler, qualquer outro membro da família pode
fazê-lo [...]. Uma segunda sugestão a ser feita para encorajar
o povo a ler privativamente a Bíblia: nos cultos públicos,
os livros seriam lidos, um após o outro sem maiores comentários
(a menos que alguém queira apresentar um breve resumo). Isso seria
feito para a edificação de todos, em especial para aqueles
que definitivamente não podem ler ou não têm o seu
próprio exemplar das Escrituras. A terceira sugestão é
a reintrodução do antigo e apostólico modelo de assembléia
da Igreja. Além de nossos costumeiros cultos, outras reuniões
seriam realizadas, como o apóstolo Paulo as descreve em I Coríntios
14.26-40. Ninguém se levantaria para pregar, mas aqueles abençoados
com dádivas e conhecimentos podem falar e apresentar opiniões
piedosas, fazendo sugestões a seres eventualmente discutidas por
todos. Contudo, isso deve ser feito em ordem, para evitar tumulto e confusão.
Os diversos pastores do local têm a obrigação de estar
presentes à reunião, ou, pelo menos, alguns irmãos
mais instruídos nas letras sagradas, reunidos sob a liderança
de um pastor piedoso, a fim de aumentar seus conhecimentos das Escrituras.
Lendo-as junto e discutindo fraternalmente o sentido de cada verso, serão
capazes de nele discernir seu significado e utilidade para a edificação
de todos. Aqueles que não estiverem satisfeitos com a compreensão
da matéria, poderiam expressar suas dúvidas e pedir mais
explicações. Por outro lado, os que tivessem feito mais
progresso (incluindo os pastores) teriam o direito de expor ao povo sua
compreensão do texto. Então, tudo o que for exposto, na
medida em que acordam com o Espírito Santo, nas Escrituras, deve
ser examinado pelos outros irmãos (especialmente os pastores) e
aplicado para a edificação de todos os que freqüentam
a reunião. Tudo deve ser preparado, levando-se em conta a glória
de Deus, o crescimento espiritual dos participantes e também suas
limitações. Qualquer sinal de discórdia, polêmica,
autoprojeção, deve ser evitado ou eliminado, especialmente
pelo pastor que dirige a reunião. Esperam-se grandes benefícios
dessas reuniões. Os pastores conhecerão melhor os membros
de sua comunidade, suas fraquezas e crescimento na doutrina e na piedade.
Um elo de confiança entre pastor e comunidade pode ser estabelecido,
o que será de interesse para ambos. O povo tem uma excelente oportunidade
para exercitar seu amor pela Palavra de Deus, fazer perguntas (que na
maioria das vezes não têm coragem de discutir com seus pastores)
e obter respostas. Em pouco tempo, hão de crescer em suas experiências
pessoais, tornando-se capazes de dar melhor instrução religiosa
a seus filhos e empregados. A ausência de tais reuniões,
as prédicas não são compreendidas adequada e plenamente,
pois não há tempo e oportunidade para a reflexão
ou, quando o sermão termina, grande parte de seu conteúdo
já foi esquecido (o que não acontece numa discussão).
A leitura da Bíblia, pessoal ou em casa, onde quem pode ajudar
na compreensão do significado e propósito de cada verso,
está ausente, o leitor não consegue a explicação
que gostaria de Ter. O que falta nesses momentos (pregação
pública e leitura pessoal) pode ser encontrado nas reuniões
propostas. Não será uma carga pesada para os pastores, nem
para o povo, mas assim estará sendo cumprida a exortação
do apóstolo Paulo (Cl 3.16): "Instrui-vos e aconselhai-vos
mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos
espirituais, com gratidão em vossos corações".
De fato, sejam entoados cânticos nas reuniões, para o louvor
de Deus e inspiração dos participantes. O diligente uso
da Palavra de Deus não consiste apenas em ouvir sermões,
mas, também, na sua leitura, meditação e discussão
(Sl 1.2), principais instrumentos de reforma dos costumes religiosos e
sociais, que ocorram da forma proposta ou de qualquer outra. A Palavra
de Deus é a semente da qual todo o bem cresce. Se conseguirmos
que o povo busque, com diligência, no livro da vida, sua alegria,
a vida espiritual, será maravilhosamente fortalecido e transformado.
O que mais Lutero queria era conduzir o povo à diligente leitura
da Bíblia. Hesitou muito em deixar seus escritos serem publicados,
com receio de que isso desviasse o povo da leitura da Bíblia. Um
dos principais erros que levou a política papal ao fracasso foi
conservar o povo na ignorância e controlar as consciências,
proibindo a leitura da Escritura (na medida em que ainda podem, essa proibição
é mantida). Por outro lado, um dos principais propósitos
da reforma foi devolver ao povo a Palavra de Deus, escondida na sacristia
(e a Palavra foi o meio mais poderoso pelo qual Deus abençoou a
reforma). Essa continua sendo o principal instrumento, agora que a Igreja
deve ser colocada em melhores condições, superar a aversão
que muitos têm da Escritura e negligência de seu estudo, estimulando
o buscar ardente e zeloso de seus ensinamentos. Exercício do sacerdócio
universal Martinho Lutero sugere um outro meio, completamente compatível
com o primeiro. A Segunda proposta é o estabelecimento e prática
diligente do sacerdócio universal. Não se podem ler os escritos
de Lutero, com certo cuidado, sem se observar que ele advoga o sacerdócio
universal, segundo o qual todos os cristãos (e não apenas
pastores) foram feitos sacerdotes pelo Salvador, ungidos pelo Espírito
Santo e dedicados para o exercício de atos espirituais-sacerdotais.
O apóstolo Pedro não estava se dirigindo aos pastores quando
escreveu (I Pe 2.9): "Vós sois raça eleita, sacerdócio
real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus,
a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para
a sua maravilhosa luz..." Que quiser saber com profundidade qual
a opinião de nosso reformador sobre as funções espirituais,
precisa ler seus tratados aos boêmios (De instituendis ministris
Ecclesiae ad Clarissimum Senatum Praggensem Bohemiae, W A 12,169-196)
sobre como os pastores devem ser escolhidos e empossados em suas funções.
Ali se pode ver como ele demonstra, esplendidamente, que as funções
espirituais espirituais estão abertas a todos os cristãos,
sem exceção. Apesar de as tarefas regulares e públicas
serem atribuídas aos pastores escolhidos para isso, podem também
ser desempenhadas por outros, em casos de emergência, especialmente
aquelas exercitadas nos lares. Por uma obra do amaldiçoado demônio,
junto ao papado, todas as funções foram atribuídas,
com exclusividade, ao clero, excuindo-se delas o resto da cristandade,
com se não fosse adequado aos leigos o estudo da Escritura, a instrução,
a admoestação, conforto do próximo. Não se
podia fazer privativamente aquilo que os pastores realizavam em público,
como se fosse exclusividade do clero. Como conseqüência, os
leigos se afastaram daquilo que, por direito, lhes pertencia, ocorrendo
grandes ignorâncias e desordem na vida do laicato. Por outro lado,
os membros do estamento espiritual podiam fazer o que queriam, pois ninguém
se importava, nem levantava objeção. Esse pressuposto monopólio
do clero, juntamente com a proibição de ler a Bíblia,
é um dos principais instrumentos pelos quais o papado estendeu
seu poder sobre os pobres cristãos e, se as condições
lhe forem favoráveis, ainda os oprime. O maior sofrimento que se
pode causar ao papado é, como Lutero fez, proclamar que todos os
cristãos foram chamados para o exercitamento das funções
espirituais (apesar de não chamados para o exercitamento público
das funções, pois isso exigiria autorização
prévia da comunidade). Isso não lhes é permitido,
mas, se desejam ser verdadeiramente cristãos, são obrigados
a desempenhar tais funções. Cada cristão não
é só compelido a oferecer-se a si mesmo e o que possui,
suas orações, ações de graças, boas
obras, ofertas etc; como, também, a estudar com seriedade a Palavra
do Senhor, ensiná-la a outros, com o Dom que lhe foi dado, especialmente
os que habitam sob o seu teto, orientar, exortar, converter e edificá-los;
observar suas vidas, orar por todos e, na medida do possível, preocupar-se
com a salvação deles. Se isso é verdade no que se
refere ao interesse do cristão para com os outros, também
é verdade no que se refere a si mesmo. Ele deve cuidar-se e dedicar-se
ao que é importante para a sua própria edificação.
Por outro lado, a complacência existente no momento decorre do fato
de que esse ensinamento não é praticado. As pessoas pensam
que isso não lhes diz respeito. Imaginam que, como eles foram chamados
para seus trabalhos, no escritório, negócio ou comércio,
e como o pastor não foi chamado para essas coisas, nada têm
a ver com as coisas espirituais. O pastor, segundo eles imaginam, é
chamado para o exercitamento dos atos dessa natureza, ocupando-se com
a Palavra de Deus, orando, estudando, ensinando, admoestando, confortando,
orientando, etc., enquanto ele não se envolvem com tais coisas.
Imaginam que estariam se envolvendo indevidamente nas tarefas exclusivas
do pastor. Nem se menciona o fato de pensarem que não devem cuidar
de seus pastores, admoestando-os fraternalmente quando eles negligenciam
algo, e apoiando-os em seus esforços. Nenhum pastor será
prejudicado se os membros de sua comunidade exercitarem esse sacerdócio
universal. Uma das razões pelas quais o pastor não pode
fazer tudo, é porque se sente muito fraco e sem apoio. É
incapaz de fazer tudo o que deve ser feito para a edificação
de muitas pessoas, confiadas ao seu cuidado pastoral. Todavia, se os sacerdotes
leigos fazem a sua parte, o pastor, como dirigente e irmão mais
velho, sente-se apoiado e fortalecido para realizar suas obrigações
e atos pastorais. Assim, o fardo não será tão pesado.
Prática e conhecimento do Cristianismo
Juntamente com essas duas propostas, existe uma terceira: o povo deve
ser levado e acostumado a crer que isso não são meios suficientes
para o conhecimento da fé cristã, pois o Cristianismo consiste
fundamentalmente em prática. O nosso Salvador repetidamente identificou
o amor com a marca distintiva dos cristãos (Jo 13.34-35; 15.12;
1 Jo3.10,18; 4.7-8,11-13,21). Em sua velhice, João costumava dizer
pouco mais do que isso: "Filhos, amai-vos uns aos outros" (Jerônimo.In:
Comentário da Epístola aos Gálatas, III,6). Seus
discípulos e ouvintes queriam saber a razão dessa repetição
interminável e perguntaram-lhe por que insistia sempre nessa exortação.
Ele respondeu: "Porque é o mandamento do Senhor e é
suficiente, se for cumprido". Sem dúvida, o amor é
tudo na vida do homem que tem fé e que é salvo por sua fé.
O cumprimento da lei de Deus é o amor. Se podemos despertar um
ardente amor entre os cristãos, primeiramente aos irmãos,
depois a todos os homens (pois os dois, amor fraternal e amor, em geral,
devem complementar-se segundo 2 Pe 1.7) e colocar isso em funcionamento,
praticamente tudo o que desejamos será realizado. Todos os mandamentos
são resumidos no amor (Rm 13.9). O povo não pode apenas
ser ensinado a amar o próximo, nem só advertido sobre os
perigos do amor-próprio, mas, sobretudo, exortado a praticar o
amor. Os cristãos devem acostumar-se a não perder oportunidade
de servir o outro com atos de amor e a sondar seus corações
para saber se o motivo que os impulsiona é o verdadeiro amor, ou
qualquer outro. Se não agredidos, ofendidos, convém controlarem
seu sentimento de vingança, abrirem mão de seus direitos
e temerem que seus corações possam traí-los com sentimentos
de hostilidade. Devem buscar oportunidade de fazer o bem a seus inimigos,
a fim de que tal autocontrole possa ferir o velho Adão, sempre
inclinado à vingança, e implantar no coração
de seus inimigos o mesmo amor que os move. Para esse fim e para o crescimento
do Cristianismo, seria bom se aqueles que resolverem seguir fielmente
o caminho de Cristo, entrarem em contato confidencial com seus confessores
ou com outros cristãos experientes e sábios, contando suas
novas maneiras de viver, as oportunidades que têm de praticar o
amor cristão e como foram aproveitadas ou negligenciadas. Isso
é importante, pois oferece a possibilidade de avaliar a própria
conduta e receber instruções sobre novas formas de procedimento.
Decidam-se firmemente a obedecer os conselhos dados o tempo todo, de acordo
com a vontade de Deus. Se alguém ficar em dúvida sobre fazer
ou não para o próximo, é sempre melhor fazer do que
deixar de fazê-lo. [...] 6. Pregação e edificaçãoAlém
desses exercitamentos que pretendem desenvolver a vida cristã dos
estudantes, é necessário que os professores se preocupem
com aquilo que seus alunos vão precisar quando se tornarem pastores.
Por exemplo, treine-se o estudante a instruir os ignorantes, consolar
os enfermos e, especialmente, preparar bons sermões. Seja-lhes
mostrado que, no sermão, todas as coisas devem convergir para um
propósito. Como Sexta proposta, a fim de que se encorage a Igreja
Evangélica a buscar melhores condições, eu diria
que o sermão deve estar voltado para esse propósito, e alcance
o coração do ouvinte da maneira mais eficaz possível.
Há provavelmente poucos lugares em nossa Igreja nas quais não
haja muitos sermões sedo pregados. Porém, as pessoas piedosas
reconhecem que pouco se tem aproveitado de tais prédicas. Existem
pregadores enchendo-se de tantas informações, que convencem
os ouvintes de que são homens muito instruídos, contudo,
os que os ouvem não conseguem entender o que dizem. Incluem nelas
muitas palavras estrangeiras, embora, possivelmente, nenhum ouvinte conheça
tais línguas. Muitos pregadores não se preocupam com o assunto
escolhido e em desenvolvê-lo de tal modo que, pela graça
de Deus, a congregação possa dele aproveitar para a vida
e a morte. Pelo contrário, preocupam-se com a introdução,
com sua boa forma e com um clímax de efeito, e que as partes sejam
tratadas de acordo com as regras da oratória e cheias de beleza,
etc. Isso não pode acontecer. O púlpito é um instrumento
divino para a salvação das pessoas. Por isso, nele todas
as coisas devem ser direcionadas para esse propósito. As pessoas
comuns, das quais a comunidade é composta em sua grande maioria,
não podem ser esquecidas pelo pregador preocupado em agradar os
letrados que são poucos e, geralmente, não comparecem ao
culto. O Pequeno Catecismo, de Lutero (1529), que contém os primeiros
rudimentos do Cristianismo e do qual as pessoas aprenderam a fé,
deve continuar a se usado, só que mais diligentemente na instrução
das crianças e também dos adultos (a kinderlehre era a reunião
para estudos do catecismo, dirigido especialmente para as crianças,
feita no Domingo à tarde). O pregador não pode abandonar
essa prática. Pelo contrário, deve lembrar às pessoas,
em seus sermões, aquilo que aprenderam no catecismo. Não
precisa envergonhar-se de fazer isso. Deixo de lado alguns comentários
adicionais a respeito dos sermões. Considero isso como fundamental:
a nossa religião cristã é composta de homens regenerados,
cujas almas estão repletas de fé e expressam-se em frutos
da vida. Assim, o sermão não pode Ter outro objetivo a não
ser cultivar a fé e seus frutos. Por outro lado, os preciosos benefícios
de Deus, dirigidos ao homem interior, devem estar presentes de forma que
a fé se fortaleça cada vez mais. Por outro lado, não
podemos contentar-nos em afastar as pessoas dos vícios exteriores
e levá-los à prática de virtudes exteriores, coisa
que a ética dos pagãos também pode fazer. Nosso objetivo
é despertar e cultivar a fé e seus frutos. Tudo aquilo que
não proceder desse fundamento é mera hipocrisia. Devemos,
pois, acostumar as pessoas a voltarem-se para as coisas interiores (amor
a Deus e ao próximo) e depois procurarem agir corretamente. Enfatize-se
que o significado divino da Palavra e sacramentos se relacionam no homem
interior. Então, não é suficiente ouvir a Palavra
com o ouvido exterior. Ela deve penetrar em nosso coração
para que possamos escutar o Espírito de Deus. Em outras palavras,
o Espírito fala ao nosso coração na medida em que
nele faz morada. O homem sente vibrante emoção e conforto
no selo do Espírito (Ef 1.14; 4.30) e no poder da Palavra. Igualmente,
não é suficiente ser batizado, pois o homem interior (onde
Cristo é colocado no ato do batismo – Gl 3.27) deve conservar
e testemunhar Cristo na vida exterior. Tampouco, não é suficiente
receber a Santa Ceia exteriormente, mas o homem interior deve ser, em
verdade, nutrido com aquele alimento abençoado. Da mesma maneira,
não é suficiente orar de modo superficial, só com
a boca, pois a melhor e verdadeira oração vem do homem interior;
ela tanto pode expressar-se com palavras, como pode permanecer muda no
fundo da alma. No último caso, Deus encarregar-se-á de achá-la
e levá-la ao seu trono. Finalmente, não é suficiente
adorar Deus num templo exterior, pois o homem interior adora melhor a
Deus em sua alma, aconteça isso num templo exterior ou não
(1 Co 3.16).
Concluindo, convoco insistentemente o gracioso Deus e doador de todas
as boas coisas, que no passado permitiu que a boa semente de sua Palavra
fosse semeada por seus fiéis servos, e que poderosamente abençoou
muitas daquelas sementes, caídas em corações piedosos,
para que dessem muitos frutos; [...] que muitos, com corações
piedosos, busquem a sua edificação, nos domingos, nesses
sermões e nas Escrituras Sagradas; possam, finalmente, entregar
a Deus os frutos produzidos, com ação de graças.
Oro, também, para que os pastores sejam reavivados em suas pregações
e voltam-se ao coração do Cristianismo [...] com simplicidade
e poder. Tudo seja para a glória de Deus e o progresso de seu Reino,
por amor de Jesus Cristo. Amém.
Lembre-se: ao usar um artigo cite a fonte. "...No Senhor o vosso trabalho não é vão".